Estrutura de custo
Quanto custa um discador: o que entra na conta além do preço por PA
· atualizado em 27 de setembro de 2026 · 13 min de leitura
Toda proposta de discador chega com um número grande na capa: o preço por PA — o número que o comprador leva para a reunião, e o que menos explica a fatura depois que a operação começa a discar.
Antes de comparar, dois problemas. Não achei fornecedor de discador no Brasil que publique preço — procurei em 24 de setembro de 2026: as páginas de preço de discador que encontrei ou não estão no ar, ou levam direto ao comercial. Vale para o ekovox: sem cotação, “preço médio de mercado no Brasil” é invenção. E as propostas não vêm todas na mesma unidade — uma cobra por agente cadastrado, outra por sessão simultânea; uma embute o minuto, outra não.
Este texto é sobre a estrutura da conta. Escolha de fornecedor está no guia de discadores. A conta inteira, num desenho:
A ordem dos andares não é de importância, é de visibilidade: quanto mais fundo, menor a chance de o item estar na proposta que você está comparando.
A conta tem seis andares
| Andar | O que é | Escala com | Aparece na proposta? |
|---|---|---|---|
| 1. Licença | Software por PA, por sessão ou por consumo | Pessoas, ou minutos | Sim, é a capa |
| 2. Telefonia | Minuto, número, cadência, tributo | Discagem | Às vezes, com a tarifa de fixo |
| 3. Capacidade | Canais simultâneos e banda | Agressividade da discagem | Raramente |
| 4. Consumo por chamada | AMD, gravação, armazenamento, IA | Tentativas, não conversas | Como “recursos inclusos” |
| 5. Implantação | Projeto, integração, treinamento | Uma vez — mas não é zero | Às vezes, como cortesia |
| 6. Folha e norma | Salário, encargos, pausas da NR-17 | Pessoas e jornada | Nunca |
Os andares 2, 3 e 4 crescem com a discagem, não com a conversa: dobrar a tentativa dobra os três, mesmo que ninguém a mais atenda.
Andar 1: duas palavras mudam o total — nomeado e concorrente
Licença por usuário nomeado cobra por cadastro: cada login é uma licença, use ela uma hora ou oito. Licença concorrente cobra por sessão simultânea: dez licenças atendem trinta pessoas que nunca estão logadas juntas.
No Brasil isso não é detalhe, porque a jornada é norma. A NR-17, Anexo II (Portaria SIT nº 09/2007, alterada pelas Portarias MTP nº 423/2021 e nº 4.219/2022) limita o tempo em efetiva atividade de teleatendimento a 6 horas diárias, pausas incluídas, e a 36 horas semanais (itens 6.3 e 6.3.1). Uma PA que opera 12 horas tem dois operadores: duas licenças no nomeado, uma no concorrente.
O concorrente custa mais por licença — há fornecedor internacional que declara o prêmio na própria página de preços, sem dizer quanto. Os percentuais que circulam vêm de compilações de terceiros e não os confirmei na fonte primária. A mecânica basta: se o prêmio for menor que 100%, a PA de dois turnos sai mais barata no concorrente.
A mesma PA de 12 horas, turno a turno:
Dois cuidados. Piso contratual: há plataforma americana que publica preço por usuário e exige mínimo de 50 usuários simultâneos — numa operação de 12 PAs, o preço efetivo por PA é múltiplo do de tabela. E o discador nem sempre é o add-on caro: na plataforma internacional de contact center cujo preço de lista é público, campanha de saída já entra no plano de entrada. O que pesa roda por fora da licença.
Andar 2: o minuto, e os três mecanismos que o encarecem
Móvel não é fixo. Numa tabela pública internacional, a saída para móvel no Brasil custa 2,1 vezes a saída para fixo local; numa tabela brasileira em reais, 4,7 vezes (cálculo sobre as tabelas de Twilio e Directcall, consultadas em setembro de 2026). Antes de aceitar uma cotação, conte quantos números da sua base são celulares: se a maioria for, a proposta cotada em tarifa de fixo não descreve a sua operação.
Cada barra é relativa ao fixo local da própria tabela: o que se compara é a proporção, não o preço de uma tabela contra a outra.
Cadência. O fracionamento da chamada: 60/60 cobra minuto cheio; 30/6 cobra 30 segundos de mínimo e sobe de 6 em 6 — uma ligação de 31 segundos é faturada como 36. Um fornecedor nacional escreve que negociar a cadência pesa tanto quanto negociar a tarifa, e está certo: a chamada de discagem ativa é curta.
Arredondamento e mínimo por chamada. Há plataforma de nuvem que fatura por segundo, mas com mínimo de 60 segundos: a conexão que morre em 8 segundos custa o mesmo que a de um minuto. E a Twilio documenta que arredonda voz para cima ao minuto cheio — “uma chamada de 1 minuto e 18 segundos é cobrada como 2 minutos”. Daí a consequência mais útil: o log não é a fatura. O log traz segundos e todas as tentativas; a fatura, minutos arredondados. Quem orça pelo log subestima.
Nenhum dos três mecanismos depende de o fornecedor ser caro: são regras de contagem — e é por elas que o mesmo volume discado vira faturas diferentes.
Faltam o número — assinatura mensal, ou diária em alguns modelos de nuvem — e o tributo: tabela em reais pode vir com imposto de um estado embutido, e a alíquota muda; segundo a Feninfra, o ICMS sobre telefonia fixa em São Paulo passou para 21,95%. E plano ilimitado pode não valer para quem disca: a Directcall declara que “os planos ilimitados da Directcall não permitem que as ligações sejam automatizadas, por qualquer meio” — leia a cláusula de automação antes de usar um preço de vitrine como referência.
Andar 3: você não compra agentes, compra canais
Quem disca em preditivo precisa de mais linhas simultâneas do que gente. A fórmula usada em capacity planning de VICIdial é direta:
Canais de pico = Agentes × Dial Ratio × Fator de overhead
com dial ratio típico entre 2,0 e 3,0 e overhead entre 1,1 e 1,2. O exemplo do próprio material: 50 agentes × 3,0 × 1,15 = 175 canais, ou 3,5 canais por agente.
Se a proposta cobra por canal, por tronco ou por sessão, esse multiplicador está na fatura mesmo sem estar na capa. E puxa a rede junto: cada canal em G.711 consome 87,2 kbps, então 100 canais pedem cerca de 21 Mbps só de voz. Link é linha de custo. Qual modo de discagem cabe em cada operação está nos tipos de discador.
Andar 4: o que escala com a tentativa
A detecção de secretária eletrônica aparece como linha própria na tabela pública que consegui consultar, cobrada por chamada, não por conversa: a que o detector analisa e descarta como caixa postal entra na fatura igual. Confira no seu contrato qual é o gatilho — chamada com AMD habilitado, chamada atendida, ou item embutido na tarifa —, porque as três hipóteses dão contas diferentes para o mesmo volume discado. Por que o AMD erra, e o que o erro custa em segundos, está no post sobre AMD.
Gravação e armazenamento acumulam: gravação se cobra por minuto gravado, armazenamento por minuto guardado por mês — a base do mês 12 é maior que a do mês 1 mesmo com volume estável. E a retenção não é escolha livre: o Decreto nº 11.034/2022 (SAC) determina guarda da gravação por no mínimo 90 dias e do registro de atendimento por no mínimo 2 anos da resolução da demanda. Tokens de IA seguem a mesma lógica de consumo: IA na ligação.
Andar 5: implantação, integração e as horas de gente
“Implantação sem custo” é frase de proposta; o que vale checar é como ela aparece no contrato — item próprio, com preço e prazo, ou diluída na mensalidade. O documento mais útil que achei em português é público: o Pregão nº 077/2025 do TST, contact center com URA e gravador em SaaS, separa “assinatura mensal” de “serviços de instalação, implantação e repasse de conhecimento”. São R$ 999.027,00 estimados para 60 meses — R$ 16.650,45 por mês — e R$ 44.199,66 pagos uma vez pela implantação: 2,65 mensalidades, ou 22,1% do primeiro ano e 4,2% do contrato de cinco anos.
Ressalva: amostra de um, de contact center receptivo, não de discagem ativa, e o edital não publica a quantidade de licenças — não dá para derivar R$ por PA dali. O que se leva é a pergunta na unidade certa: a implantação cabe em quantas mensalidades? O mesmo edital fixa 30 dias corridos de implantação mais 10 dias úteis de testes e repasse de conhecimento, e treinamento em três trilhas (agente, supervisor, administrador técnico) — escopo, não cortesia.
O que se leva do edital é a unidade da pergunta — quantas mensalidades a implantação custa, com qual prazo e qual escopo —, não o valor, que é de um contrato só.
Integração com o CRM é capítulo próprio, e o que pesa não é só o projeto: é o tempo do operador alternando entre duas telas, todo dia, depois que o projeto acabou — discador integrado ou avulso. Para troca de fornecedor, o roteiro está em trocar de discador sem parar a operação.
Andar 6: o andar que a proposta do discador não precifica
A NR-17 Anexo II exige ainda duas pausas de 10 minutos fora do posto (6.4.1), 20 minutos de intervalo (6.4.2) e treinamento inicial de 4 horas na admissão, periódico a cada 6 meses, dentro da jornada (7.1.2.1 e 7.1.2.3). Pausa e treinamento são hora paga: entram na folha, não na licença.
O piso vem de convenção coletiva e varia por base sindical — na CCT 2026 de São Paulo e Grande São Paulo (SINTRATEL, assinada em 13/01/2026), o de 180 horas mensais passou a R$ 1.625,28 em 1º de janeiro de 2026. E o encargo tem calendário: a Lei nº 14.973/2024 reonera a folha por degraus — em 2026, 60% da contribuição sobre receita bruta mais 10% sobre a folha; em 2027, 40% e 15%; a partir de 2028, 20% cheios e fim da CPRB. Um contrato de três anos atravessa essa escada inteira.
O custo que não é linha nenhuma: parar
Quinze dias sem discar não aparecem em tabela de tarifa nenhuma. E são a única linha desta conta que zera receita em vez de aumentar despesa: é o bloqueio da originação que a medida cautelar da Anatel aplica a quem dispara volume alto com proporção alta de chamadas curtas.
A Anatel mantém medida cautelar que bloqueia a originação por 15 dias de quem dispara volume alto com proporção alta de chamadas curtas (Despacho Decisório nº 22/2024/RCTS/SRC, em vigor desde 1º de junho de 2024). Os limiares, a definição de chamada curta e o que fazer a respeito estão em regras da Anatel e em número bloqueado. Para efeito de conta, só interessa a consequência: quinze dias sem discar não aparece em tabela de tarifa nenhuma, e é a única linha desta lista que zera receita em vez de aumentar despesa.
Dois itens nascem daí e ficam fora da cotação. O primeiro é a autenticação de chamadas, obrigatória para quem a Anatel classifica como grande chamador (Despacho Decisório nº 787/2025/COGE/SCO; o critério de volume está no post das regras da Anatel). A Anatel diz que “o custo do serviço é acordado entre a empresa (usuário chamador) e a prestadora de telecomunicações contratada”, e que a identificação visual é contratada à parte; não achei tabela pública para nenhum dos dois. O outro é a rotação de números: a AWS recomenda usar vários números na discagem ativa e fixa 0,5% de falha por número inválido como limiar para revisar a base, sem dizer quantos números por PA nem com que frequência trocar — e ninguém publica esse custo em reais.
Confira a redação vigente das normas citadas na fonte oficial. Nada neste texto é orientação jurídica.
As dez perguntas que põem duas propostas na mesma unidade
- Licença por usuário nomeado ou por sessão simultânea? Se concorrente, qual o prêmio sobre o nomeado?
- Há mínimo contratado de usuários, sessões ou faturamento?
- O minuto está incluso para fixo e para móvel, ou só para fixo?
- Qual a cadência: 60/60, 30/6, outra? Há mínimo por chamada?
- O arredondamento é por segundo ou por minuto cheio?
- Quantos canais simultâneos o contrato permite, e o que acontece ao passar disso?
- AMD, gravação, armazenamento e transcrição: por chamada, por minuto ou por mês, e a partir de qual franquia?
- Implantação e integração custam quantas mensalidades, com qual prazo?
- Os tributos estão dentro ou fora da tarifa, e de qual estado?
- Quem paga a autenticação de chamadas e a identificação visual?
O que conferir do seu lado antes da reunião
- Conte os celulares da base. Se a maioria for, a proposta cotada em tarifa de fixo não descreve a sua operação.
- Não orce pelo log. O log traz segundos e todas as tentativas; a fatura, minutos arredondados — quem orça pelo log subestima.
- Conte os operadores de cada PA, não só as PAs. Pela NR-17, uma PA que opera 12 horas tem dois: duas licenças no nomeado, uma no concorrente.
- Conte canais, não agentes. No exemplo do material de capacity planning de VICIdial, 50 agentes × 3,0 de dial ratio × 1,15 de overhead dão 175 canais, 3,5 por agente — e cada canal em G.711 consome 87,2 kbps de link.
- Leia a cláusula de automação antes de usar um plano ilimitado como referência: há plano que não permite ligação automatizada.
- Confira a redação vigente das normas na fonte oficial. Nada neste texto é orientação jurídica.
O que eu não consigo te dizer
Preço por PA de discador no Brasil: não há fonte pública. Custo da autenticação de chamadas e da identificação visual: nenhuma prestadora publica. Custo da rotação de números: também não. Taxa de conexão de referência para converter custo por minuto em custo por conversa: não achei fonte neutra brasileira — e é essa conversão que decide se o discador paga. Os números para fazê-la com dado seu estão em as métricas do discador.
Também não uso o único custo de PA de cobrança em reais que achei: material de 2022, sem data de apuração e sem abrir salário, encargo, software e telefonia. Número fechado sem composição não é referência — é uma frase com um cifrão.
Quatro lugares em branco na conta: o texto procurou os quatro e não os preenche sem fonte.
Perguntas frequentes
Quanto custa um discador por PA no Brasil?
Não há fonte pública. Em 24 de setembro de 2026 não achei fornecedor de discador no Brasil que publique preço: as páginas de preço encontradas ou não estavam no ar, ou levavam direto ao comercial. Sem cotação, preço médio de mercado no Brasil é invenção; o que dá para comparar é a estrutura da conta.
Qual a diferença entre licença nomeada e concorrente no discador?
A licença por usuário nomeado cobra por cadastro: cada login é uma licença, use ela uma hora ou oito. A concorrente cobra por sessão simultânea. Como a NR-17, Anexo II, limita o teleatendimento a 6 horas diárias, pausas incluídas, uma PA que opera 12 horas tem dois operadores: duas licenças no nomeado, uma no concorrente. O concorrente custa mais por licença, mas, se o prêmio for menor que 100%, a PA de dois turnos sai mais barata nele.
Dá para orçar a telefonia do discador pelo log de chamadas?
Não: o log não é a fatura. O log traz segundos e todas as tentativas; a fatura, minutos arredondados, e quem orça pelo log subestima. Na cadência 30/6, uma ligação de 31 segundos é faturada como 36; há plataforma de nuvem com mínimo de 60 segundos por chamada, em que a conexão que morre em 8 segundos custa o mesmo que a de um minuto; e a Twilio documenta que arredonda voz para cima ao minuto cheio.
Quantos canais simultâneos um discador preditivo precisa?
A fórmula usada em capacity planning de VICIdial é canais de pico igual a agentes vezes dial ratio vezes fator de overhead, com dial ratio típico entre 2,0 e 3,0 e overhead entre 1,1 e 1,2. No exemplo do próprio material, 50 agentes com dial ratio de 3,0 e overhead de 1,15 dão 175 canais, ou 3,5 canais por agente. Se a proposta cobra por canal, por tronco ou por sessão, esse multiplicador está na fatura mesmo sem estar na capa.
Como comparar o custo de implantação de um discador?
Pela pergunta na unidade certa: a implantação cabe em quantas mensalidades? No Pregão nº 077/2025 do TST, contact center com URA e gravador em SaaS estimado em R$ 999.027,00 para 60 meses, a implantação de R$ 44.199,66, paga uma vez, equivale a 2,65 mensalidades de R$ 16.650,45. É amostra de um, de contact center receptivo e não de discagem ativa, e o edital não publica a quantidade de licenças, então não dá para derivar preço por PA dali.
O bloqueio da Anatel por chamada curta entra no custo do discador?
Não aparece em tabela de tarifa nenhuma: quinze dias sem discar são a única linha desta conta que zera receita em vez de aumentar despesa. A medida cautelar da Anatel (Despacho Decisório nº 22/2024/RCTS/SRC, em vigor desde 1º de junho de 2024) bloqueia por 15 dias a originação de quem dispara volume alto com proporção alta de chamadas curtas. Confira a redação vigente na fonte oficial; nada aqui é orientação jurídica.